Arquivo para educação

Desejo

E aí teve muita discussão sobre se a mulher tem escolha, se ser dona de casa é uma escolha, se a dependência financeira não tira a escolha da mulher. (já sei, tem escolha demais)

Eu queria dizer que esse post é sobre desejo. Eu nunca cogitei ficar sem trabalhar e quando fiquei desempregada a angústia me deixou doente.

Porque o que eu estava pensando era mais no desejo, na liberdade de desejar diferente, de não desejar ter uma carreira, ser uma pessoa poderosa ou importante. De, em alguns momentos da nossa vida, desejar ser só mãe. Como isso é visto preconceituosamente pelos nossos pares, aquelas pessoas com quem você conversa, discute, sai.
Eu trabalhava “porque precisava”, porque o meu desejo não era o de estar ali. Mas veja, se eu dissesse “estou nesse emprego porque preciso, mas na verdade eu quero ser CEO da Microsoft” ninguém teria me olhado como se eu fosse um ET. Até se eu dissesse que queria mesmo era morar em Arraial D’ajuda e criar galinha, o povo teria dito “nossa, que coragem” e ponto. Mas desejo de ficar em casa com os filhos, ah, isso é para fracos.
 Eu não falo de ser dona de casa, nem de não trabalhar ou ser sustentada por marido (argh) embora reconheça que há casais que conseguem lidar bem com um deles não estar numa atividade economicamente rentável.
E eu, na verdade, consegui encontrar um meio. Eu queria ter encontrado isso quando o Rafa tinha um ano. Mas tem uma curva de aprendizado necessária aí também. Talvez.
Eu acho que é muito importante lutar por um modelo de trabalho menos estressante, com mais home office, com uma jornada menor, com licença-filhos para os envolvidos, eu ia dizer o casal, mas lembrei dos pluri afetivos.
Eu queria ajudar a discutir e legitimar a necessidade de estar mais com os filhos, de estar presente, pai, mãe, genitores, ou sei lá como vamos chamar daqui em diante.

Campanha de Apoio a Papai Noel

Slogan: “Nesse Natal, deixe seu filho acreditar em Papai Noel”

Podemos reinventar Papai Noel. Primeiro, parar de ameaçar as crianças de que se elas não forem boas, não ganharão presentes, principalmente pq elas vẽem colegas pestes ganhando smartfones e crianças pobres que só ganham porcarias usadas, então vão ficar com essa ideia que dinheiro é que é “bom”.

Segundo, desconstruir o Santa Klaus da coca cola. Eu gostei do Papai Noel das crônicas de Nárnia, mas cada um pode imaginar o seu. Quando as crianças me perguntam qual história de fadas é a verdadeira eu explico que esses contos eram falados durante muitos anos e só depois alguém resolveu escrever, então ela pode escolher o que gostar mais.

Pra ajudar a “descomercializar” o Natal, dê o presente que vc quiser, mas q o presente de Papai Noel não seja caríssimo, fora das suas possibilidades normais. Se os coleguinhas continuarem ganhando rolls royces, explique que, às vezes, o pai pode comprar e deixar pro papai noel entregar, pra ele ter mais tempo e dinheiro pros presentes das crianças mais pobres.

Deixe a criança escolher até quando acreditar, use a máxima: peça e receberás, acredite e acontecerá. Pode ser frustrante, mas é até bom uma frustraçãozinha, e vc não tem que ter todas as respostas.

Aquele negócio de filme americano da menina que só pediu o presente na imaginação e se tornou uma pessoa amarga e dura por ter seu desejo frustrado é frescura de holyude. Avise a seu filho eque vcs têm que levar a carta no correio senão não recebe e não compactue com truques que visam lhe desmoralizar, desculpas e subterfúgios são perdoáveis.

Ah, e não esqueça de comer os biscoitos. Aqui em casa Papai Noel nunca gostou de leite puro, só com nescau 😉

 

 

Ainda Monteiro Lobato

Só avisando que aqui não se trata do parecer do MEC que me parece bastante razoável. Só acho que em vez de uma nota explicativa introdutória no livro, devia-se fazer um Manual Para o Professor Lidar com o Racismo na Obra de Monteiro Lobato.

Porque eu acho Lobato essencial, mesmo. Acho que a construção dos personagens, a menina que vive com a avó no sítio, tendo a sabedoria literária de Dona Benta, a sabedoria popular de Tia Nastácia, as tradições da cultura oral com Tio Barnabé. A menina que não vai à escola, que não é sujeita ao mundo moderno, às regras. Eu quando era criança implicava com isso, com o machismo. Porque Pedrinho era o moderno, corajoso e Narizinho era aquela besta que não ia pra escola? Porque esse era o meu mundo, machismo. Era essa a minha preocupação.

Hoje lidando com crianças de variadas origens e classes sociais, vejo como Monteiro Lobato é necessário. Cada criança enxerga nele o problema que a aflige, seja o machismo, o racismo, a falta dos pais das personagens, a presença dos mitos brasileiros, a forma de enxergar os contos de fadas.

Quando eu digo aos pais que não precisam se preocupar se a irmã da Cinderela decepa o próprio dedão ou se a madrasta da Branca de Neve quer matá-la porque tudo é simbólico, ninguém entende. Balançam a cabeça e compram aquelas versões expurgadas sem sangue nem drama.Aí quando eu começo uma Oficina e digo “vou contar a história de Cinderela” é um muxôxo total “ãhn, Ôhn, pô, pró, conta outra, essa é muito besta…” Depois é um tal de pedir “aquela do dedão” de novo…

Eu começo com Reinações de Narizinho,mas não é a que a galera gosta.Todo mundo gosta do Sítio do Picapau Amarelo, que tem as histórias das Fadas, o Minotauro e o campeão: Os Doze Trabalhos de Hércules. E depois dos trabalhos de Hércules a gente entra nos Mitos Gregos.

No Sítio, já com todos os personagens apresentados,as crianças começam a ficar fascinadas com a possibilidades de realizarem todas as fantasias, um lugar onde se pode erguer castelos, onde uma avó compra uma fazenda para abrigar personagens de livros. É uma possibilidade infantil, tem nuances de real. Algumas crianças chegam a perguntar se o sítio existe de verdade.Mesmo alguns mais velhos seguram a respiração esperando a resposta.

A avó que sabe tudo e a avó preta que cozinha delícias são sonhos infantis. a gente quase consegue se imaginar  naqueles colos.Uma mãe me conta que a filha tem pedido muito para visitar a avó, que perguntou se a avó sabe cozinhar.

A avó de um dos meninos bebe. O menino sempre chegava triste, a avó vinha trazê-lo. Dia desses ele chorou durante a história. Os colegas consolaram, alguém perguntou porquê, outro respondeu “deixa ele, se ele quiser , ele conta”. Essas mesmas crianças outro dia estavam se apelidando e criando grupinhos.

O livro de história fala de Getúlio Vargas como “ditador populista”.Uma das meninas interrompe a história e pergunta se isso é uma coisa boa, porque a professora dela acha ruim. Pergunto o que ela acha e me responde que o livro lista muitas coisas boas que ele fez, então não pode ser tão ruim. “Não se pode acreditar em tudo que os livros dizem, né, pró?” Percebo então o motivo da interrupção estranha, há uma discussão entre Emília e o Visconde sobre a importância dos livros.

Há uma discussão se Emília é menina. As meninas acham Narizinho muito boba,querem uma representante mais ativa.”Mas Emília fala muita besteira!” Elas condenam a insolência da boneca mas secretamente dão risadinhas quando ela enfrenta a autoridade dos adultos.

Há muito choque quando eles percebem que o sítio dos livros não é o sítio da tv, muita coisa do Brasil antigo é estranho pra eles, algumas coisas eles nem percebem.

Quando eles vão fazer a releitura, escolhem trechos dos livros, é fácil perceber os problemas que os atingem, o que os preocupam. Só uma vez o racismo pesou e eu tive que procurar uma história africana pra contrapor. Achei um conto sobre Oxóssi, matas e caçadas. Um conto completamente indecente, embora não explícito e fiquei apavorada com a conotação sexual numa turma de 9-10 anos. Não perceberam nada. Estavam voltados para a descoberta do orgulho do negro caçador rei da floresta. Um perguntou “ele é mais forte que Tarzã, né, pró?” “Claro, seu idiota, ele é um Deus, Tarzã é só uma pessoa que nem é da Àfrica, só foi criado lá…”

Uma vez minha filha me disse “Mãe, Cinderela é loira?” “E Rapunzel?”. Ela descobriu que não havia nada nos contos de fada sobre a aparência exata das princesas,só que eram “lindas”. Bom, tem a Branca de Neve…

Lobato e os Contos de Fadas

Porque eu sempre volto a esse assunto, de novo e de novo…

Eu tô devendo um monte de posts e muito disso deve-se à minha preguiça contumaz de postar links.Então,como eu tenho que começar por algum lugar vou começar pelo fim, o que é sempre uma ótima ideia (consegui lembrar q ideia não tem mais acento!) e não abro mão da minha fama de procrastinadora que fala difícil.

Vou fazer uma breve cronologia (sem links) dos fatos.

Uma professora de MG, ao analisar livros de Monteiro Lobato (a notícia que vi referia-se específicamente às caçadas de Pedrinho, mas eu não sei se a recomendação dela era geral, para a obra), recomenda que a obra só seja utilizada em sala de aula com orientação específica do professor quanto a colocações racistas do autor.

Imediatamente várias vozes se insurgiram contra a “censura” e rolou um abaixo assinado em termos meio bestas que gerou dois artigos do Sérgio Leo falando que o MEC estava certo e Lobato é racista sim e que não é censura, é só orientação por parte do professor.

Uma observação que eu li é que o MEC já faz ressalva quanto ao fato das Caçadas de Pedrinho serem anti-ecológicas.

Bom,pra começar, sou contra.

Adoro dizer isso: Sou Contra. Num país em que sou pró-governo depois de quase 40 anos sendo contra, já tava com saudade. PeTista precisa protestar!

Bom, mas sou contra o quê? Contra o racismo,contra a censura, contra a recomendação,contra o abaixo assinado, contra a ressalva…

Só sou a favor de Lobato e das crianças. Deixem os dois juntos e não se metam, que eles se entendem e se resolvem.Acho que Alex Castro tem um post sobre Lobato, mas é sobre um Lobato pra adultos, um conto ou romance que eu li uma vez num livro de português que foi da minha mãe, um “textos para o exame de admissão”, chamado Negrinha, uma coisa tão horrível e chocante que me traumatizou pra sempre, nunca consegui voltar a ler o texto.

O texto é bom, tanto quanto eu posso me lembrar, já que li aos dez anos, e tem que ser bom pra ter me deixado essa impressão marcante,mas eu chorava sempre antes de chegar ao final, daí meu trauma.

Bom,mas divaguei.

O que eu quero dizer é que precisamos é dar cursos para os pais e professores para que deixem de tentar traduzir o mundo e a literatura para as crianças. Deixem que elas descubram, que sua curiosidade seja atiçada, deixem que elas procurem perguntar e saber.

Eu faço oficinas literárias há anos e NUNCA tive uma turma que não se revoltasse com o tratamento dado a Tia Nastácia ou ao Tio Barnabé. Muitos chegam a comparar com parentes. Um menino contou,uma vez,que a Bá dele tinha o apelido de Neguinha,mas que ela contou só pra ele que não gostava e ele não sabia se contava pra mãe. Aí outra menina sugeriu que ele começasse a chamá-la pelo nome, pra ver se as outras pessoas se acostumavam. E completou “as pessoas ainda estão acostumadas com a escravidão” e todos balançaram a cabeça, gravemente concordando.

No inocência dela, não sabe quão profunda é aquela constatação. Em outro grupo, o único menino branco apelidou o menino mais negro de “África do Sul”. Imediatamente outro menino denunciou. O ofendido negou, disse que não ouviu, que não entendeu. Virou a discussão por três dias, se ofende, se deve dizer,se é brincadeira, se a pessoa ofendida deve aceitar a brincadeira ou reagir.

Ficar repetindo pras crianças que “é feio” e “não pode”,não adianta. As crianças precisam entender o racismo concretamente, em situações normais.Precisam entender porque Tia Nastácia não só não reage como continua lá, no Sítio, tratando todos como se fossem da família.

Para isso elas têm que se identificar com a história, comprar o propósito. Aqui no jardim temos árvores, passarinhos,calangos, lagartixas. Muitas dessas crianças criam passarinhos em gaiolas, vêem adultos matando lagartixas, nunca viram um calango. Por que não mata? Por que não prende? Que bicho feio!

É uma outra realidade, um outro modo de vida. Já pensou se na entrada eu  tivesse que fazer profissão de fé? aqui em casa não se mata bicho, não se prende, lagartixas são amigas e comem mosquitos e baratas…

À medida que as coisas vão surgindo, eu vou lidando. Como a história do sobrinho do milionário que deu toda a herança pros pobres “que otário” “eu comprava uma ferrari” aí você vai dar uma de moralista e dizer que dinheiro não traz felicidade? eles vão balançar a cabeça fingindo concordar mas por dentro pensar “que otária!”.

Então não é fácil, não dá pra ficar chamando a Rapunzel de boba porque não foge da torre sozinha, porque tudo é simbólico. E se um dia ela, uma menininha, precisar de ajuda pra resolver um problema e pensar “não, a mamãe acha bobas menininhas que esperam por ajuda, vou fazer tudo sozinha”.

E se o menino negro pensar que é bacana que pessoas diferentes como uma família mestiça com laços de parentesco confusos como o da sua própria família e preconceituosos, racistas, machistas como seu avô e seu tio possam se amar e serem felizes e que quando ele está ali sonhando com esse paraíso a pró vem de lá e diz que Lobato, o criador da história, é racista=mau?

Deixem que as crianças questionem o que elas precisam, não o que vocẽs adultos gostariam de ensinar. Quer ensinar? pratique. Não faça nem permita abusos e atitudes racistas, lute pelo que é certo, procure manter uma postura “assertiva” feminista na vida que não vai ser Rapunzel nem Emília que vai fazer a cabeça do seu filho do contrário.

E depois, vem cá, que é que adianta uma introdução no livro se o professor, ele próprio for racista e preconceituoso?

 

o triângulo amoroso

Esse é o verdadeiro tripé na educação, o verdadeiro dilema: Como relacionar amorosamente, afetivamente, pais, professores e crianças. Como fazer com que esse amor se materialize em conhecimento, raciocínio, abstração.

Há uma criança do bolsa família que tem chegado à escola já mais velha, já defasada, fruto de um tempo em que precisava trabalhar para ajudar em casa. Essa criança é defensiva, independente, agressiva, sonsa.Está acostumada a se defender, a medir o adversário, a usar a agressividade e a falsa humildade quando necessárias para distrair o outro da sua ignorância, da sua  fraqueza. Essas crianças vão à escola a contragosto, sonham com as ruas, a liberdade, até os vícios, por que não?

Recuperar para a escola essa criança é uma tarefa difícil, principalmente se a família não tiver se estruturado, se a necessidade da escola for somente a de manter o benefício. Mas se a escola a recebe bem, se estimula a sua curiosidade, se lhe oferece uma saída diferente do que ela podia esperar, temos a possibilidade de ajudar essa criança a se tornar alguém, de enfrentar a sua realidade e vencer.

Sem que essa criança fosse à escola, não haveria essa possibilidade. Lembro de uma cena de um filme, não lembro qual, onde alguém comprava uma criança numa situação de escravidão e a devolvia à mãe. Estamos comprando as crianças-escravas-trabalhadoras do Brasil e lhes devolvendo a possibilidade de serem homens e mulheres livres.

Agora, precisamos transformar o possível em realidade, melhorando a escola e a formação dos nossos professores para conseguir lidar com essa realidade. Voltando ao que eu sei, quando se trata de crianças com dificuldade de aprendizagem a primeira reação é 1.”a culpa é dos pais” 2.” dos avós” e aí a gente vai parar na colonização  portuguesa, quiçá adão e eva…

Não, o objetivo aqui é instrumentalizar essas crianças para que lidem com tudo,a mãe bébada, o pai traficante, o tio abusador, a escola ruim, a professora incompetente, o chefe explorador. Tudo se encontra pela vida. Seres humanos bem formados, com autoestima elevada e espírito forte resistem a tudo.Só precisam de uma! pessoa que acredite neles.

Cada um de nós pode ser essa pessoa pra alguém.

a nova educação

Sexta feira minha filha ficou doente.Já está boa, graças à homeopatia. Mas passamos o dia nas salas de espera dos médicos (literalmente de 7 às 17).

Nesse tempo li muitas vejas, épocas, criativas, elles, vi finalmente o horário político e conversei muito, com muitas pessoas.É inevitável, muitas mães com muitos filhos, porque quando filho adoece são as mães que imediatamente jogam o trabalho pro alto e vão perder o dia de trabalho nas salas de espera dos consultórios médicos.

Aí, coincidentemente, minha cabeça que ainda continua semi-ocupada com o dilema do post anterior construiu mais uns raciocínios e testou mais umas hipóteses com as mães ali presentes.A discussão básica é famíliaXgoverno, quem tem culpa?

As mães alegam que as professoras são umas semi-analfabetas cafonas que não sabem usar os livros modernos, que querem se livrar das crianças, que ensinam como se ensinava a trinta anos, que faltam muito, chegam atrasadas, saem mais cedo, gritam com as crianças, etc.

As professoras alegam que a bolsa-família incorporou à escola aquelas crianças que só vão pra não perder o benefício, que não se comprometem, que fazem o dever quando querem,cuja família não toma conhecimento da escola ou do comportamento do filho, que não têm contato com as letras, aí a coordenação “quer que use construtivismo, que trabalhe com texto” .

Pois eu vi só pontos positivos nas duas falas.Mães que se interessam o suficiente pela escola e pelo aprendizado de seus filhos a ponto de criticar o desempenho dos professores, que sabem quando as atividades não estão de acordo com o método utilizado e a qualidade do livro didático.

Professores que estão sendo desafiados a trabalhar com crianças difíceis, mas que estão, sim, sendo incorporados ao ambiente escolar.Uma coordenação que continua no caminho certo apesar da dificuldade de aplicação.

A notícia que mais me animou foi a das crianças do Bolsa Família. Porque eu não milito diretamente dentro da rede pública, consigo ver os resultados externos, na sociedade, mas nunca havia pensado em como a escola está absorvendo essas crianças, as que nunca estudaram e não estudariam se a frequência não valesse um dinheirinho pros pais.

Um dia, numa reunião em outro setor , uma médica, um advogado, um músico conversavam e um deles soltou “Nunca pensei que um dia os pais iam ser pagos pra mandar os filhos pra escola” e outro, é claro, veio com a pérola “No meu tempo…”.

Será? Será que “no seu tempo” todos os pais mandavam os filhos pra escola? Ou mandavam trabalhar nas casas de madame e nos mercadinhos?

Voltando ao que eu sei

Tô pensando em fazer um blog de verdade, profissa, com nome e artigos sérios.

aham. talvez.

Enquanto isso, xôcontar umas coisas, eu vou despejando pra liberar meu cérebro que anda muito congestionado.

Eu li numa revista sobre educação que uma pessoa está pesquisando/fazendo doutorado na França sobre como a visão dos pais sobre a escola contribui para o fracasso escolar.

Um tempo atrás (eu já contei isso aqui desculpa o repeteco) numa conversa, uma pessoa comentou sobre como uma escola não estaria ao alcance intelectual de uma mãe. A maneira que a coisa foi colocada era muito preconceituosa, mas aquilo não me sai da cabeça até hoje. Eu preciso encontrar uma maneira de dizer isso direito, ou vou continuar com isso ocupando meu cérebro.

Eu li uma notícia sobre como o “coeficiente devaneio” está sendo estudado como fator na construção de personalidades destacadas, geniais, criativas, etc.

Muitas amigas me relatam suas preocupações com filhos distraídos, que não querem estudar, ler, fazer tarefas.

Escolher uma escola é muito difícil. Escolas experimentais são caras e muitas vezes somente fruto de um bom marketing. A pedagogia avançou muito e deixou todo mundo da área perdido da silva, imagine os pais. As mães vivem imprensadas entre a culpa e a parede.Tá eu sei que todo mundo queria botar o filho naquele colégio top de linha, onde as crianças aprendem brincando e viram gênios que passam no vestibular do ITA e ganham bolsas pra Oxford. Mas não dá, né?

Colégio bom é onde a criança é feliz. Onde você paga o que pode ou não paga. Onde seu filho e você são respeitados.Entre um colégio “bom” e carrasco e um fácil mais “leve”, fico com o segundo. O colégio sozinho não vai ensinar seu filho, grande parte do entendimento que ele leva pra vida, vai ser construído em casa, na relação com a família. Se ele levar esse entendimento ao colégio, vai aprender. Se ele tem fome de saber, o mundo é pródigo em oportunidades. Se ele não quiser aprender, nenhum colégio o fará diferente.

Outro conselho aos pais é: eleve as suas próprias expectativas,não as projete nas crianças. Peguei um ônibus com uma senhora de mais de 60 (ela entrou pela porta dianteira) que me contou que estava indo para a aula de dança.”Tentei com a filha, com a neta, ninguém quis, vou eu”. Se você acha curso superior importante, faça.Se acha doutorado uma coisa linda, faça. Não espere que o diploma do seu filho realize seu sonho.

Crianças filhas de leitores lêem mais, filhos de mecânicos têm intimidade com motores, filhas de cozinheiras muitas vezes herdam a “mão”. Nada é garantido, e temos filhas de cozinheiras que não fritam nem ovo, mas a proximidade, a imitação, facilita. Se você acha que a leitura é uma coisa boa, leia.Se seu filho quiser participar dessa aventura, vai ser seu companheiro.

Tem casas cheias de livros infantis. Você procura os livros adultos, tem um dicionário, um ou dois auto-ajuda e alguns romances espíritas. Como dizer a essas pessoas o “porquê” do filho deles não gostar de ler?

Não quero dizer com isso que as pessoas não podem colocar os filhos em bons e caros colégios, que gente que não lê não deve comprar livros ou que se você é distraída seu-filho-não-tem-jeito-a-culpa-é-sua.Só acho que entender os filhos passa também por reavaliar o modelo de filho pré-estabelecido (acho que isso escreve sem hífen, mas ficou tão feio!) aquele que se enquadra no que a escola acha, no que o pai deseja, no que a sociedade precisa. Tentar entendê-los e aceitá-los, nem que isso signifique colocá-los num colégio menos exigente e deixá-los tocar violão.