Em 1985 Ronald Reagan havia sido reeleito depois de sobreviver a um atentado. Os Eua haviam invadido Granada, A URSS o Afeganistão. El Salvador, Nicarágua, Irã, Paquistão, Tchecoslováquia, Panamá, todos estavam em pé de guerra.
A América do Sul saía timidamente de ditaduras de 30 anos. Argentina, Brasil começavam a ensaiar a democracia que não se sabia direito onde ia dar.
A AIDS era uma realidade, a homofobia a verdadeira praga. Aqui na Bahia tínhamos um pseudo-jornalista que se dava ao desfrute de, a pretexto de fazer crítica cinematográfica, falar em “peste gay”, “bichas” e “falsos-ao-corpo”. E o jornal publicava. Acintosamente.
No ano anterior o livro de George Orwell havia sido exaustivamente discutido, sobre até que ponto as soturnas previsões se haviam cumprido ou em que a realidade superava a fantasia.
Foi nesse contexto que eu li Watchmen pela primeira vez. Revoltada, enojada como só se é aos 20 anos.Li tanto que plastifiquei a revistinha, que nessa época vinha num papel meio ajornalado, nada do papel brilhante e sedoso que veio depois.
Hoje, quando Obama substitui Bush, Israel tenta exterminar os palestinos sob o olhar conivente do mundo, o Brasil de direita tenta desqualificar o primeiro presidente operário e chama a ditadura feroz, sangrenta e assassina,ue exterminou toda uma geração promissora de jovens e atrasou o desenvolvimento intelectual do país em 30 anos, de “ditabranda” ?! Hoje fui assistir um filme que me lembrou os anos oitenta não como dancing days e mullets, mas como os 80’s que eu vivi, com Diretas Já, passeatas e comícios.
Por coincidência (ou não) , havíamos assistido Slumdog Millionaire no dia anterior. Mas eu falo disso amanhã.