A Índia, A Bola da Vez

aviso: contém spoiler.

O post nem é exatamente sobre a Índia, mas ainda não sei direito o que fez a Índia ficar na moda…

Eu fiquei devendo um post sobre o filme do Milionário do Nome Difícil (vocês não sabem o que é ser uma pessoa que não fala inglês e adora cinema, affe!)

Quando fomos ver o filme (na verdade fomos ver Watchmen e erramos o dia) tinha uma moça na entrada saindo nos primeiros 15 minutos porque “não suportava filme de maldades com criança”.

Tá, eu passei o tempo todo com medo de ter estupro dos meninos, da menina, fechei o olho naquela cena da cegueira, mas assisti o filme todo sem nem chorar.

Aí outro dia outra amiga diz que também saiu no meio do filme por causa das crianças e eu pensei “será que eu deixei de ser molenga?” (porque eu choro, viu, queridos? não no de liquidação de frango, mas pelo menos naqueles de dia das mães, dos pais, de natal, aquele de uma fundação que as criancinhas iam pro céu nos livros, nossa, chorei baldes)

Eu fiquei muito tempo duvidando das minhas reações ao filme. Porque eu gostei até do oscar que ele ganhou, embora tenha visto montes de comentários falando da “superficialidade” do filme.

Achei que não precisava levar tanto oscar assim, principalmente os técnicos, mas oscar é política e não cinema. Mas eu gostei do filme.

Uma coisa que eu gostei é exatamente a “superficialidade” dele. Dizem que o livro é muito mais denso, que conta uma história que vale a pena ser lida. Mas no filme eu achei bom que ele não tenha se concentrado na miséria, na pobreza, na marginalidade ou na mendicância. Porque eu sei que ali não tem nem dez por cento, mas ele também não finge, não mascara, ele dá uma amostra. Ele diz, “Olha, tem mais lá, se você quiser ver”. Mas ele também não mostra tudo. É como se dissesse “tem muito, mas não tem só isso”. É filme sobre gente, que vive em país pobre, que é pobre, mas que vive, arruma emprego, não é um filme sobre a inevitabilidade da vida de gente pobre, que só pode ir por aquele lugar.

E é Bollywood, eu adoro!

educando

sempre achei engraçado chamar aluno de “educando”

tô na maior preguiça( se bem que, na verdade, eu estou é morta de cansada, com o corpo todo doído e inchado da menstruação, zangada com trezentos milhões de pequenos contratempos, mas como eu não estou a fim de discutir tudo isso, então resumo: tô na maior preguiça)

vou colocar só o link de um vídeo interessante (está dividido em dois), vou ficar devendo o post

parte1

parte 2

1984

Em 1985 Ronald Reagan havia sido reeleito depois de sobreviver a um atentado. Os Eua haviam invadido Granada, A URSS o Afeganistão. El Salvador, Nicarágua, Irã, Paquistão, Tchecoslováquia, Panamá, todos estavam em pé de guerra.

A América do Sul saía timidamente de ditaduras de 30 anos. Argentina, Brasil começavam a ensaiar a democracia que não se sabia direito onde ia dar.

A AIDS era uma realidade, a homofobia a verdadeira praga. Aqui na Bahia tínhamos um pseudo-jornalista que se dava ao desfrute de, a pretexto de fazer crítica cinematográfica, falar em “peste gay”, “bichas” e “falsos-ao-corpo”. E o jornal publicava. Acintosamente.

No ano anterior o livro de George Orwell havia sido exaustivamente discutido, sobre até que ponto as soturnas previsões se haviam cumprido ou em que a realidade superava a fantasia.

Foi nesse contexto que eu li Watchmen pela primeira vez. Revoltada, enojada como só se é aos 20 anos.Li tanto que plastifiquei a revistinha, que nessa época vinha num papel meio ajornalado, nada do papel brilhante e sedoso que veio depois.

Hoje, quando Obama substitui Bush, Israel tenta exterminar os palestinos sob o olhar conivente do mundo, o Brasil de direita tenta desqualificar o primeiro presidente operário e chama a ditadura feroz, sangrenta e  assassina,ue exterminou toda uma geração promissora de jovens e atrasou o desenvolvimento intelectual do país em 30 anos, de “ditabranda” ?! Hoje fui assistir um filme que me lembrou os anos oitenta não como dancing days e mullets, mas como os 80’s que eu vivi, com Diretas Já, passeatas e comícios.

Por coincidência (ou não) , havíamos assistido Slumdog Millionaire no dia anterior. Mas eu falo disso amanhã.

Austrália

Assumida minha paixão por filmes, resolvi assumir também que me caem fichas dos lugares mais improváveis, como aquela comédia romântica água com açúcar.

Assisti Austrália, gostei, achei até menos meloso e pretensioso do que esperava. Nem me deu vontade de ir tomar café. Cenas românticas na medida certa, ação sem cansar, vilão ruim mesmo, nada de “justificativa serial killer”. E o Hugh Jackman, aiai, aquele homem acaba de fazer mais pelo turismo da Austrália que todos os cangurus do continente.

Segundo a Nicole Kidman, que não teria gostado da própria performance, ainda bem que com o hugh andando a cavalo, lutando, tomando banho de canequinha, ninguém nem ia notar a performance dela. Bem, eu não iria tão longe, mas que distrai, distrai.

Aí o filme me lembrou de um outro que eu não consegui assistir todo, não por ser ruim, mas porque trata de temas muito difíceis pra seres que já pariram: A Geração Roubada.

Em Austrália se aponta um problema que dizimou a população indígena, os aborígenes, o sequestro de mestiços das suas famílias, para serem criados pelos brancos como criados dos brancos, afastando-os das tradições, costumes, língua. Da sua família e do seu povo.

Minha adolescente já havia comentado , especialista em hollywood como é, como todos os australianos do cinema pareciam loiros e lindos.( Salvo as honrosas exceções de morenos sexys que montam cavalos e tomam banho de canequinha, affe!)

Bem, pudera! Esse país destruiu um povo, fez um apartheid mais eficiente que o da Africa do Sul, inclusive com a ajuda de uma cerca (a tal cerca dos coelhos) e transformou a mestiçagem num crime de mãe com a pior das punições: perder o filho.

E eu pensei que, como não acredito em coincidências, só no astral me mandando mensagens, isso talvez venha a explicar porque aquela nossa amiga perdeu a filha para o marido australiano, o que vocês acham?

Kuduro

Vai que eu geralmente consigo passar o carnaval incólume, não saio de casa nem pra ir à padaria.Vai que com um nome desse eu nem ia me dar ao trabalho de conferir.

Mas não é que é massa? cara, fiquei arrepiada e me deu vontade de dançar (só vontade, que se eu tentasse provavelmente ficaria irremediavelmente inválida).

Kuduro, do Fantasmão, que como eles mesmos dizem:” vem de Angola, vem de Luanda”

http://www.youtube.com/watch?v=ScjxNivFeqM

Aqui o original de Angola:

http://www.youtube.com/watch?v=LzeIFyt3NHI&feature=related

O resto que eu vi do Fantasmão não gostei, a mesma pobreza musical que assola a Bahia há anos, mas quem sabe?

paxonei

No supermercado

Na fila do caixa, duas senhoras de cabelos arrumados conversam:

-A filha da fulana passou na faculdade…

-Grandes coisas, faculdade está igual a curso de datilografia, o filho do meu eletricista faz engenharia elétrica, ele me disse que o outro fazia “contabilidade”, quando fui ver, é que o pai é ignorante, ele faz é Ciências Contábeis!

-É isso mesmo, minha manicure ano passado passou na primeira fase da UFBA em engenharia ambiental, perdeu a segunda fase, aí esse ano “resolveu se dedicar”. Resultado, o mês todo sem manicure porque ela está “estudando”!

-É por isso que não se acha mais uma empregada decente…

-É…

(as aspas são os trechos que as “senhoras” mudavam o tom de voz)

Tenho um amigo professor em faculdade particular que, como sempre, me reclamava outro dia do nível dos alunos, que não sabem nada, não lêem, etc. Nada de novo, exceto a ressalva que ele fez:

-os cotistas ainda se salvam, mas os outros…

-comassim, os cotistas?

A faculdade tem um sistema de monitoria para orientar os alunos cotistas, que então estão indo melhor que os outros…

Me engana que eu gosto

Estou gripada, e eu gripada perco, pelo menos, metade da minha capacidade de raciocínio, junto com a voz e outras secreções escatológicas, então perdoem a falta de fontes.

Li, não sei onde, sobre a Olimpíada, da menina que cantou e da que dublou, das pegadas virtuais e mais umas duas críticas. Ah, tá, aqui no ocidente eles escolhem criancinhas “feias” pra passar na tv, né?E as pegadas, minha adolescente atenta me garantiu  que eles avisaram na cerimônia que os fogos haviam sido gravados antes, então ela viu os “virtuais”  na cerimônia oficial e os “ao vivo” no CQC do Marcelo Tas. E acho os dois lindos.

Então, em outro lugar, li que, ao contrário do que andam noticiando pelo mundo, inclusive em documentários americanos, ingleses e brasileiros (vi um no GNT), o governo empreende uma guerra contra a matança e abandono de meninas e o tráfico de adoção, patrrocinado pelas máfias civilizadas européias.

Enquanto isso, na Sala de Justiça … eu já estou acostumada com a distorção das notícias nacionais, e tals, mas a versão global da invasão da ossétia e Geórgia é francamente ridícula, nem que fôssemos americanos, pra sair atribuindo a Bush tal papel justiceiro e altaneiro.Simplesmente omitiram os fatos, inclusive as respostas russas.

Menos sério, só orgulho de mãe: Fala adolescente sobre a galisteu fazendo propaganda de um creme pra pentear: “Ah, tá, e o cabelo dela ficou daquele jeito só passando o creme? sem chapinha, nem escova? me engana que eu gosto!”

PT

Vou votar no PT, como sempre. Se não gosto do candidato, voto no partido. Não dou voto útil, não voto em coligações só porque o partido indicou, apoiou.

Votei nulo por um Partido Operário. Gosto de ver criança na escola de barriga cheia, gosto de ver a fila do bolsa família. A minha ex-empregada agora faz rejunte em obra. Gosto disso também.

Não acho que já foi melhor. acho que falta, ainda. Falta encontrar um modo de nomear uns ministros melhores pro supremo.

Santa Brígida

Emiliano José, que é baiano, qui nem qui eu, em seu artigo na Carta Capital, sugere que adotemos Santa Brígida, que combatia os corruptos, como padroeira do Brasil. Vamos ver se ela dá uma forcinha nesse movimento Mãos Limpas que ora se anuncia por aí.

Artigo do Emiliano Aqui

Modelos

Vem aí o dia dos Pais.A propósito do comentário de uma amiga, sobre a filha que anda agressiva, xingando o pai, me caiu uma ficha: o édipo, a transferência do objeto do desejo, da mãe para o pai e as consequências, a eterna disputa com a mãe, ou a dificuldade em eleger um modelo masculino, ou ainda a insegurança eterna na própria aparência, tudo derivando desse momento tão delicado e da capacidade ou não dos pais de lidar com esses conflitos…

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